quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O gargalo do câncer

É oportuna, mas pouco provável de ser de fato cumprida a liminar dada pela Justiça Federal, a pedido da Defensoria Pública da União, para tentar acelerar o início do tratamento contra o câncer no SUS.

A decisão se refere ao cumprimento da Lei 12.732/12, que passou a vigorar em maio deste ano e que obriga o SUS a iniciar o tratamento contra a doença em até 60 dias após o diagnóstico no prontuário médico.

Agora, a Justiça ordenou que o prazo máximo de 60 dias entre o diagnóstico do câncer e o início do tratamento seja contado a partir do resultado do exame.

Na vida real, isso significa muito. Diante da suspeita de câncer, em tese, o paciente do SUS é encaminhado para um especialista, que pede um exame.

Quando o resultado fica pronto, ela marca uma nova consulta. É a partir daí que começa a contar o prazo dado pela lei. Mas entre fazer o exame e conseguir agendar com o especialista pode levar dois meses em média, que, somados aos outros dois meses previstos em lei, elevaria para quatro meses o início real do tratamento no SUS.

E isso na melhor das hipóteses. O período pré-diagnóstico é hoje um dos pontos mais críticos do SUS. Até o paciente chegar ao resultado, existe uma longa peregrinação.

O ministério afirma que vai recorrer da decisão, justificando que o registro no prontuário dá maior segurança, pois a forma de entrega do resultado não é padronizada no país. A defensoria orienta as pessoas a denunciarem se a decisão for descumprida pelo SUS.

Diante do imbróglio, é difícil deixar o ceticismo de lado e acreditar que, na prática, algo vá mudar no atual cenário. A razão é simples: não houve aporte adicional de recursos para que a lei saia do papel e faça, de fato, alguma diferença na vida das pessoas com câncer.

Os pacientes continuam enfrentando grande dificuldade de encontrar, em pouco tempo, um serviço público para tratar alguns tipos de câncer, como o de esôfago, e o de reto, que exigem tratamento multidisciplinar.

Também não ficou claro como irá funcionar a punição das instituições que não cumprirem o prazo estipulado pela lei. Afinal, quem será punido?

"Se entre o diagnóstico e a chegada ao hospital o prazo for muito longo, o tempo de se fazer todas as outras atividades [como o preparatório para uma cirurgia] diminui. Quem será penalizado, o serviço que fez o diagnóstico inicial ou o serviço que aceitou o paciente? Isso não está esclarecido na legislação", questionou o oncologista Paulo Hoff, diretor do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), em audiência pública no Ministério Público Federal para debater o tema, no dia em que a portaria foi publicada. A ver.


Texto escrito por Cláudia Collucci, colunista de saúde da Folha de São Paulo.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Exposição De Peito Aberto em Minas Gerais

Queridas amigas de Minas Gerais, temos boas novas: No Outubro Rosa a EXPOSIÇÃO "DE PEITO ABERTO, a Autoestima da Mulher com Câncer de Mama, uma Abordagem Humanista" vai estar em BH/Contagem, no Itaú Power Shopping (Av. General David Sarnoff, 5160, Cidade Industrial, Contagem / MG); de 01 a 09 de Outubro (de segunda à sábado das 10h às 23hs e domingos de 11hs às 22hs). A Palestra será no dia 02 de outubro (às 20 horas) também no Shopping (no local da exposição).

Em Uberaba: no Sesc Uberaba (Unidade I Rua Ricardo Misson, 411, Fabrício. Uberaba – MG); de 5 a 20 de outubro (Segunda à sexta-feira: 09h às 20h30 / Sábados e domingo: 09h às 16h30)
A Palestra será no dia 07 de outubro (das 19hs às 20:30hs), no Auditório do Sesc Uberaba (Unidade III) – Pça Estevam Pucci, 386, Fabrício. Uberaba – MG

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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Vacina inédita contra HPV é desenvolvida em Santa Catarina

Especialistas de todo o Brasil se encontraram nesta semana na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para discutir os tratamentos e a prevenção contra o HPV, vírus que é transmitido sexualmente em 95% dos casos, segundo especialistas. O vírus transmite o câncer de colo de útero, tumor maligno que contaminou 300 catarinenses em 2012 e levou 165 delas a morte.

Existem 200 tipos de HPV e somente aqueles que apresentam manchas no colo do útero ou nos órgãos que podem evoluir para o câncer. Outros tipos se manifestam em forma de verrugas, casos estes considerados de baixo risco, mas que preocupam.

Em Florianópolis, 21% das mulheres entre 18 e 70 anos têm algum tipo de HPV. Entre os homens, esse percentual sobe para 40%.

E é de Santa Catarina que sairá uma nova possibilidade de prevenção. "Estamos em uma fase final de avaliação no Centro de Pesquisa HPV no Hospital Universitário de uma vacina que chamamos de multivalente. Nessa vacina, foram acrescentados cinco tipos diferentes de HPV's que causam câncer para dar uma proteção maior. Com esses tipos contidos na vacina, praticamente vamos pegar todos os casos de câncer ou lesões pré-cancerosas associadas ao HPV", explicou o médico Edison Natal Fedrizzi.

O centro de pesquisas da UFSC fez uma parceria com algumas clínicas de Florianópolis onde as pessoas podem tomar a vacina com 20% de desconto. Para conseguir o benefício, é preciso se cadastrar na Universidade. O telefone para contato: (48) 3233-6798.

Vacina contra o HPVO governo federal anunciou no dia 1º de julho que o Sistema Único de Saúde (SUS) irá disponibilizar a vacina contra o vírus HPV a partir de 2014. A produção da vacina já está sendo negociada com um laboratório brasileiro e, segundo o Ministério Público, mais de 100 mil meninas catarinenses devem ser imunizadas contra o vírus, em um sistema de três doses em que meninas de 10 e 11 anos serão imunizadas.

Por enquanto, as vacinas bivalente e a quadrivalente contra o vírus estão disponíveis apenas nas clínicas particulares. São três doses e, cada uma, custa R$ 300, em média. Apesar do custo elevado, a vacina demonstrou 90% de eficácia.


Fonte: Oncoguia

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Dieta, exercícios e café 'reduzem riscos' de câncer de útero

Uma pesquisa conduzida por cientistas britânicos indica que seguir uma dieta saudável, praticar exercícios diários e possivelmente tomar café podem reduzir os riscos de câncer de colo do útero.

Os pesquisadores, do Imperial College, de Londres, observaram que, apesar de terem encontrado indícios de que o café pode ajudar a proteger mulheres contra o tumor, não há evidências suficientes para estimular consumo da bebida como forma de prevenção da doença.

Na primeira análise global de pesquisas sobre câncer de colo do útero desde 2007, os pesquisadores examinaram as ligações entre a doença e a prática de exercícios, dieta e peso corporal.

Eles concluíram que cerca de 3,7 mil casos de câncer de colo do útero poderiam ter sido evitados se as mulheres tivessem se exercitado ao menos 38 minutos diários cinco dias por semana e mantido um peso saudável.

A autora do estudo, Teresa Norat, afirmou que se as mulheres se exercitarem regularmente e mantiverem uma boa dieta 'podem reduzir os riscos de câncer de útero e melhorar a saúde em geral'.

Karen Sadler, diretora-executiva do World Cancer Research Fund, afirmou que as evidências sobre o café 'são muito interessantes', mas que novas pesquisas devem ser feitas sobre os efeitos da bebida na prevenção do câncer.

'Temos de considerar os possíveis efeitos colaterais do café em outros tipos de câncer e na saúde em geral', afirmou Sadler.



Fonte: G1

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Teste do pezinho pode identificar futuro câncer

A possibilidade de mapear, na primeira infância, mutações hereditárias que podem desencadear cânceres pode estar perto de ser uma realidade do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa é a intenção de um grupo de pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp), que desenvolveu um kit para a detecção de mutação genética ligada à doença. A nova tecnologia poderá ser integrada ao teste do pezinho e ajudar os oncologistas a detectar as doenças ligadas à síndrome de Li-Fraumeni — caracterizada pela ocorrência de vários tumores em um mesmo paciente — antes mesmo de elas se manifestarem.

O projeto foi desenvolvido no Centro Infantil Boldrini, hospital filantrópico especializado em oncologia e hematologia pediátrica. A tecnologia possibilita a rápida identificação da mutação R337H do gene TP53 e em grande escala. A alteração está ligada à síndrome de Li-Fraumeni, condição hereditária rara caracterizada pelo aparecimento de vários tumores em uma única pessoa. “Pelo menos 70% dos casos de câncer são de origem esporádica e aparecem quando a pessoa está mais velha, aos 60 ou 70 anos. Mas, quando a mutação está presente também nas células sexuais dos pais, o bebê pode nascer com todas as células do corpo portadoras da mutação”, explica Antônio Abílio Pereira da Santa Rosa, oncogeneticista do Hospital Federal de Bonsucesso e da Oncoclínica, no Rio de Janeiro.

Leucemia e câncer de mama estão entre os problemas desencadeados pela síndrome. “O tumor de córtex adrenal, que é a glândula localizada em cima dos rins, é um tipo maligno. Em crianças, em geral, a manifestação mais comum é a presença de massa na barriga. Ele tem alguns sinais, como pressão alta, hipertensão arterial, dor e perda de peso”, complementa Luis Sakamoto, oncologista pediátrico do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB).

Segundo Sakamoto, o câncer de córtex adrenal tem frequência elevada em pacientes com Li-Fraumene e geralmente é descoberto quando já atingiu a metástase. “O prognóstico não é bom, a não ser que seja diagnosticado precocemente. A massa deve ser retirada, mas, se houver metástase, fica complicado. No mais, crianças tendem a se recuperar com mais facilidade dessas doenças.” Outro tumor comum é o carcinoma de plexo coroide, que ataca o cérebro. Ele é causado por anomalias no líquido que banha o sistema nervoso e pode ser tratado com quimioterapia.

Isabel Pereira Caminha, aluna de genética e biologia molecular do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, desenvolveu o kit durante o doutoramento. “Ele é composto pelos reagentes necessários para a execução da detecção da mutação R337H, além de reagentes para a extração do DNA de amostras de sangue seco em papel filtro”, explica a pesquisadora. Embora já existam outras técnicas para detectar a mutação, para se chegar a um resultado, são necessárias várias etapas, que demandam muito tempo e um alto gasto de reagentes.

Essas técnicas utilizam o PCR (polymerase chain reaction) convencional, mas o novo método utiliza o PCR em tempo real (RQ-PCR). “Ele não necessita de reações posteriores, o que agiliza bastante o processo. Além disso, é bastante sensível, sendo suficiente uma gota de sangue para a realização do teste. Enquanto as técnicas mais utilizadas levam mais de um dia para chegar a um resultado, a que utilizamos leva entre duas e quatro horas”, explica Isabel. Segundo ela, também é possível analisar várias amostras de sangue simultaneamente. Além disso, as outras técnicas são artesanais e dependem da análise visual, enquanto o novo método, que está em processo de patenteamento, é automatizado.

Ação precoceA intenção é de que o método integre o teste do pezinho, pois a detecção da mutação nos primeiros dias de vida poderia auxiliar no diagnóstico precoce de doenças. Um estudo paranaense comprova esse benefício. Nele, as crianças com resultados positivos para a mutação foram acompanhadas clinicamente durante anos. Todas as que desenvolveram câncer tiveram um bom prognóstico. “O tumor foi detectado ainda pequeno, o que resultou em ótimas chances de cura. Entre as crianças cujos pais não permitiram a participação (no estudo), no entanto, os tumores foram detectados apenas quando já estavam mais avançados, o que às vezes exige quimioterapia além da cirurgia de retirada do tumor. Houve inclusive uma que morreu, pois a doença já estava muito avançada”, conta Caminha.

Embora a mutação seja apenas um indício de que a doença pode se desenvolver durante a vida. Nesse estudo do Paraná, por exemplo, apenas 2,39% das crianças com a alteração desenvolveram o tumor de córtex adrenal. Isabel defende que, com o acompanhamento clínico nos primeiros anos de vida, as chances de cura aumentam. Além disso, como a mutação é dominante, ela sempre será repassada aos descendentes do portador.

“Estudos indicam que a família que carrega a mutação tem três vezes mais casos de câncer do que a família não portadora. Considero, devido a isso, imprescindível o aconselhamento genético para essas famílias. Ultrassonografia e exames de sangue periódicos auxiliariam na detecção precoce do tumor”, diz a pesquisadora. Um levantamento de preços feito no estudo verificou que o valor aproximado para testar cada paciente seria de R$ 3. “Se os reagentes forem comprados em grande quantidade pelo governo, o valor deverá diminuir consideravelmente”, ressalta Caminha.

Análise regionalAlém da descoberta de uma nova maneira de análise genética, a pesquisadora planeja analisar um aspecto geográfico da síndrome de Li-Fraumeni. Caminha pretende descobrir por que os casos de tumor de córtex adrenal ligados à mutação R337H são 15 vezes maior nas regiões Sul e Sudeste do que no resto do mundo.

“Existe uma teoria de que um imigrante de Portugal trouxe a mutação para o Brasil. Ele seria tropeiro e teria disseminado a mutação ao longo de sua rota. Devido a isso, os casos de tumor de córtex adrenal seriam mais frequentes na região. Entretanto, ainda são teorias. Estamos nos reunindo com profissionais que conhecem o desenvolvimento da região para confirmar ou refutar esta hipótese”, explica.

Proteína prejudicadaNa mutação R337H, a alteração se dá nos aminoácidos arginina, identificado por R, e histidina, identificado por H. Nessa região do DNA do gene TP53, acontece uma troca entre os dois aminoácidos, o que gera um mau funcionamento da proteína P53, conhecida com guardiã do genoma. “Se uma célula começa a acumular mutações, é normal que o P53 provoque uma autodestruição dela ou uma reparação. A proteína protege o genoma do mau funcionamento, mas, se ela não funciona direito, as células se comportam descontroladamente e acabam gerando tumores”, explica oncogeneticista Antônio Abílio Pereira da Santa Rosa.



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Fonte: Saúde Plena