quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

'Bolinhas grudentas' podem matar células cancerígenas

O estágio mais perigoso - e frequentemente fatal - de um tumor é a metástase, quando ele se espalha pelo corpo.

Os resultados da pesquisa Cientistas na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, desenvolveram nanopartículas que permanecem na corrente sanguínea e matam células do câncer ao ter contato com elas.

Os cientistas afirmam que o impacto do tratamento é "dramático", mas que "há muito trabalho a ser feito".

Um dos principais fatores da expectativa de vida após o diagnóstico de câncer é se o tumor se espalhou ou não.

"Cerca de 90% das mortes por câncer estão relacionadas com metástases", disse o professor Michael King, responsável pelo estudo.


Agentes

A equipe de Cornell criou nanopartículas que transportam a proteína Trail (que também significa "trilha"), que tem a capacidade de matar o câncer e já era utilizada em tratamentos experimentais, além de outras proteínas "grudentas".

Quando estas pequenas esferas eram injetadas no sangue, se agarravam aos leucócitos, ou células brancas.

Testes mostraram que na corrente sanguínea, os leucócitos "esbarravam" com as células cancerígenas que se desprendiam do tumor principal e viajavam pelo organismo.

Mas as células de câncer morriam em contato com a proteína Trail, grudada nas células brancas.

"Os dados mostram um efeito dramático: não é só uma pequena mudança no número de células de câncer", disse King à BBC.

"Os resultados na verdade são extraordinários, em sangue humano e em camundongos. Após duas horas de fluxo sanguíneo, elas (as células do tumor) desintegraram-se literalmente."

King acredita que as nanopartículas poderão ser usadas antes da cirurgia ou da radioterapia, que podem resultar em células se desprendendo do tumor principal.

O tratamento também poderia ser usado em pacientes com tumores muito agressivos, para prevenir que eles se espalhem.

No entanto, ainda é necessário realizar diversos testes de segurança em camundongos e animais maiores para que aconteça um teste clínico em humanos.

"Há muito trabalho a fazer. Ainda é preciso fazer muitas descobertas antes de que isto possa beneficiar os pacientes", afirmou King.

Até agora, os dados indicam que o sistema não tem um "efeito dominó" no sistema imunológico e não danifica outras células sanguíneas ou o revestimento dos vasos sanguíneos.


Células de câncer Hela | Foto: AP


Fonte: BBC

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Novo tratamento pode eliminar o câncer de pâncreas em uma semana

Após identificarem como funciona a barreira protetora que circunda os tumores, os cientistas desenvolveram uma droga que consegue rompê-la, permitindo que o sistema imunológico do corpo mate as células cancerígenas.

Testes iniciais do tratamento - que consiste em doses do medicamento combinadas com uma substância que potencializa a ação das células de defesa do organismo - resultaram na eliminação quase total do câncer em camundongos em seis dias.

As conclusões foram divulgadas na Cliquepublicação científica americana PNAS. De acordo com a Universidade de Cambridge, é a primeira vez que se consegue um resultado como este é conseguido em pesquisas sobre o câncer de pâncreas.

O tratamento também poderia ser usado em outros tipos de tumores sólidos - como em casos de câncer de pulmão e câncer de ovário - caso seja bem sucedido.

O câncer de pâncreas, um dos mais letais, é a oitava causa mais comum de mortes por câncer no mundo. Ela afeta homens e mulheres igualmente e é mais frequente em pessoas com idade acima dos 60 anos.

De acordo com o levantamento mais recente do Ministério da Saúde, a doença matou mais de 7.700 pessoas no Brasil em 2011.

Ultrapassando o escudo

A nova pesquisa, liderada pelo professor Douglas Fearon, observou que a barreira em volta das células do câncer é formada pela proteína quimiocina CXCL12, que é produzida por células especializadas do tecido conjuntivo - responsável por unir e proteger os outros tecidos.

A proteína envolve as células do câncer e forma uma espécie de escudo contra as células T - que fazem parte do sistema de defesa do organismo.

O novo tratamento impede que as células T interajam com a proteína CXCL12. Desta forma, o "escudo" deixa de funcionar e as células conseguem penetrar no tumor.

"Ao permitir que o corpo use suas próprias defesas para atacar o câncer, esta solução tem o potencial de melhorar muito o tratamento de tumores sólidos", disse Fearon.

De acordo com a Universidade de Cambridge, ainda não há data para testes clínicos em seres humanos.

Por apresentar poucos sintomas em seus estágios iniciais, o câncer pancreático costuma ser diagnosticado somente em estágio mais avançado.

O fundador da Apple, Steve Jobs, e o ator americano Patrick Swayze estão entre as vítimas famosas da doença.


Células cancerígenas do pâncreas antes e depois | Foto: Douglas Fearon / Universidade de Cambridge


Fonte: BBC

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Câncer ósseo tem diagnóstico tardio

A desinformação sobre os sintomas, inclusive do médico do serviço de atenção básica à saúde, tem dificultado o diagnóstico precoce do câncer ósseo. Apesar disso, são notórios os avanços conquistados pela especialidade a partir da década de 70, quando a forma mais recomendada para o tratamento eram as amputações.

Segundo a Secretaria de Saúde da Bahia (SESAB), em 2012 o estado registrou 615 casos de internações por neoplasia maligna do osso ou cartilagem articular, desses, 515 casos somente em Salvador.

A Sociedade Brasileira de Cancerologia estima que surjam, a cada ano, 2,7 mil novos casos de câncer ósseo. A doença pode ser primária ou secundária, quando tem origem de metástase de outros órgãos.

Segundo a médica Flávia Nogueira, da oncologia pediátrica do Grupo de Apoio a Criança com Câncer (GACC), os tumores ósseos são mais frequentes na adolescência.

Podem ser do tipo osteossarcomas - tumor maligno que se propaga rapidamente para os pulmões e, com menos frequência, para outros órgãos - e pelos tumores da família Ewing - conjunto de doenças de células neuroectodérmicas (grupo de células embrionárias) primitivas que constituem 6% de todos os tumores ósseos malignos primários.

"O osteossarcoma corresponde a 2,6% de todos os cânceres da infância e adolescência e os tumores da família Ewing representam aproximadamente 4%", explica. O diagnóstico é feito através de biópsia da lesão. O tratamento é feito com quimioterapia, cirurgia e, nos casos dos tumores Ewing, pode ser necessário o uso da radioterapia.

Avanços


O câncer ósseo ainda é pouco conhecido pela população, assim como seus sintomas, contudo, são notórios os avanços conquistados pela especialidade. "Nos últimos 20 anos, avançamos muito no tratamento. O uso de próteses modulares não convencionais tem assegurado sobrevida e maior qualidade na recuperação dos movimentos", assegura o precursor dos estudos em cancerologia ortopédica na Bahia, o médico Alex Guedes.

A divulgação de informações sobre a doença é precária o que prejudica a formação dos médicos e o diagnóstico precoce. Coordenador do Serviço de Cirurgia do Tecido Ósseo e Conectivo do Hospital Aristides Maltez e do Grupo de Oncologia Ortopédica do Hospital Santa Izabel, Alex Guedes, afirma que em muito dos casos a ausência de diagnostico é resultante de descuido do paciente que não dá importância ao sintoma da dor.

GACC

"Caso contrário, a doença teria mais chances de cura com a detecção precoce", explica. O problema é agravado na Bahia onde faltam centros especializados no tratamento do câncer ósseo acessíveis à comunidade em geral.

Para operacionalizar um tratamento desse tipo é necessário "uma equipe multidisciplinar e hospitais com os recursos para realizar os tratamentos como a radioterapia, quimioterapia, entre outros recursos necessários", diz Guedes.

Em Salvador, o GACC é um dos poucos centros especializados no tratamento de câncer que dispõe de estrutura multidisciplinar de atendimento a crianças.

Serviços

O grupo tem cunho filantrópico e oferece aos pacientes carentes hospedagem, transporte, alimentação, serviço social, atendimento odontológico, psicológico, terapia ocupacional, orientação nutricional, além de fornecer cesta básica para os pacientes em tratamento, bem como órtese e prótese.

"No caso dos tumores ósseos há uma particularidade: a possibilidade de mutilação quando o diagnóstico é dado tardiamente. Isso causa grande impacto e desorganização familiar", diz Flávia Nogueira.

A oncologista chama atenção para o fato de que o suporte da equipe que acompanha o paciente deve ser multidisciplinar. "Fazer parte do fluxo de atendimento dessas crianças e adolescentes é uma lição de vida diária, pela coragem e solidariedade na qual enfrentam a doença e o seu tratamento", comenta.

"Eles nos ensinam, com dor e sofrimento, a enfrentar dificuldades e nos fazem lembrar que mais importante que curar é cuidar", completa. Para Alex Guedes, a falta de atenção do estado para com o câncer ósseo é notória, sendo que esta afirmação pode ser constatada quando se olha para o inexpressivo número de especialista na área. "A invisibilidade da doença dificulta o diagnóstico, afirma.

Formação

"Esse é um ponto negativo e influencia diretamente nos resultados dos tratamentos", alerta. No entanto, o médico acredita que a situação melhorou bastante.
"Minha perspectiva é dar continuidade ao processo de formação de novos especialistas para tratar o câncer de osso. De 1993 até 2013 já formamos 25 turmas de residentes especializados câncer de osso". As especializações foram oferecidas no Hospital das Clinicas e no Hospital Santa Izabel, onde ele atua.

Os hospitais Aristides Maltez, Santa Izabel, Instituto Baiano do Câncer e Clínicas oferecem serviço especializado.


Fonte: A Tarde

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Grã-Bretanha testa vacina contra câncer no cérebro

O primeiro paciente europeu recebeu o tratamento no hospital King’s College, em Londres. Robert Demeger, 62, foi diagnosticado da doença neste ano.

O King’s College faz parte de um grupo de mais de 50 hospitais – os outros estão nos Estados Unidos – que estão testando o tratamento.A vacina é personalizada e foi desenvolvida para ensinar o sistema imunológico a lutar contra as células de um tumor.

Demeger, um ator de televisão e teatro, teve que desistir de seu papel de Otelo, no aclamado Teatro Nacional, depois que começou a ter convulsões.
Otelo

Ele disse que chegou a ter um substituto, para o caso de se sentir mal no palco, mas não precisou usar esse recurso.

"Eu fui diagnosticado com um tumor no cérebro e marcaram uma cirurgia em uma questão de dias".

Porém, antes de sua operação ele foi convidado para ser o primeiro paciente na Europa a participar do experimento internacional.
Vacina

Cirurgiões removeram o máximo possível de seu tumor – que foi depois levado a um laboratório onde foi incubado com células dendríticas (células imunológicas tiradas de seu sangue).

O objetivo foi ensinar as células a reconhecer o tumor. A vacina personalizada que resultou do processo foi injetada no braço dele, com a esperança de que aquelas células treinariam o sistema imunológico dele sobre como localizar e destruir o câncer.

Ele receberá dez doses da vacina nos próximos dois anos.

Keyoumars Ashkan, um neurocirurgião do King’s College, está liderando a parte britânica da pesquisa. Ele diz que há uma grande necessidade de novos tratamentos para o câncer de cérebro.
Glioblastoma

"Mesmo que um tumor pareça igual em dois pacientes, na realidade ele varia muito".

"Por isso, a terapia padrão provavelmente não é a melhor. Há uma necessidade de fornecer tratamento individualizado baseado no tipo de câncer de cada paciente".

O tratamento envolve pacientes com glioblastoma, a forma mais agressiva de um tumor primário de cérebro, que afeta cerca de 1.500 pessoas por ano na Grã-Bretanha.

A média de sobrevivência desses pacientes é de 12 a 18 meses. Dois estudos anteriores menores da terapia DCVax, nos Estados Unidos, descobriram que o tratamento aumentava essa sobrevida para três anos, sem efeitos colaterais. Vinte pacientes participaram dos testes e dois deles estão vivos há mais de dez anos.

Ashkan ressaltou que a atual pesquisa, que envolverá 300 pacientes, é necessária para mostrar se o tratamento é realmente eficiente. Metade deles receberá a vacina real e os demais tomarão placebos.

"Até obtermos os resultados desta pesquisa não saberemos se a terapia deve ser oferecida a todos os pacientes", ele disse.

Demeger afirma que está encantado em fazer parte dessa pesquisa. "Qualquer coisa que me dê uma chance melhor, mas também por outros fatores, vale a pena participar disso".
Fala

A cirurgia para remover o câncer afetou sua fala, porque o tumor estava localizado próximo da parte do cérebro que lida com a linguagem.

Assim Demeger, que tinha a voz como seu meio de vida, teve que reaprender a se comunicar.

"Eu adoraria voltar a atuar. Esse é o meu trabalho".

"Tenho trabalhado com um terapeuta da fala e com o chefe das vozes no Teatro Nacional".

"Não sei se poderei voltar aos palcos em semanas ou meses, mas estou esperançoso".

Cientista olha para exames de cérebro (foto: PA)


Fonte: BBC

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Estudo comprova que crianças fumantes passivas chegam a 51% no Brasil

Um estudo sobre o tabagismo passivo revelou que 51% das crianças de até 5 anos são consideradas fumantes passivas por causa do vício dos pais. A pesquisa foi coordenada pelo diretor do Ambulatório de Drogas do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP), João Paulo Lotufo. Segundo a pesquisa, essas crianças desenvolvem mais otites, bronquites, rinites, asma e duas vezes mais morte súbita quando comparadas com as de pais não fumantes.

Segundo ele, a pesquisa foi feita com a urina do fumante e de alguém da família que não fuma quando foi constatada a presença de nicotina também no sangue dos fumantes passivos.
"O fumante passivo também corre o risco de dependência e de inflamação das mucosas. Todos os que têm tendência a desenvolver doenças como as otites, rinites, bronquites, asma, vão sofrer e ter mais problemas. Nesses casos a mucosa já é inflamada e com a fumaça isso piora muito”.

Ele destacou que muitos pais alegam que fumam fora de casa para não prejudicar os filhos, mas isso não adianta, pois o cheiro do cigarro fica no corpo e nas roupas do fumante e, consequentemente, as crianças acabam respirando isso. "Só o cheiro já é motivo de inflamação. Sem dúvida é melhor fumar fora, mas o ideal é parar de fumar. Pelo menos 305 de quem vem ao ambulatório para parar de fumar, tem como motivação os filhos”.

Lotufo observou que depois que São Paulo aprovou a Lei Antifumo houve diminuição dos casos de doenças cardiocirculatórias. "Infelizmente são só sete estados que tem essa lei em vigor. O Brasil ainda não é um ambiente livre de fumaça, mas a lei que abrange todo o país já foi aprovada, mas ainda não regulamentada. Estamos em um movimento para que ela ente em vigor o quanto antes”.




Fonte: Oncoguia