terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Novidade no tratamento contra o câncer de mama





Por Dra. Letícia Carvalho, oncologista da Oncomed BH

O câncer de mama é a neoplasia que mais atinge as mulheres em todo o mundo. De acordo com dados recentes do Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se que cerca de 52.600 brasileiras desenvolvam a doença ao longo deste ano.

O tratamento, porém, deve ganhar nos próximos anos um importante reforço. Trata-se da T-DM1, medicamento, ainda em fase final de testes, apresentado durante a Asco 2012 - Encontro da Sociedade Americana de Oncologia Clínica. A droga teve resultados satisfatórios no tratamento do câncer de mama metastático do tipo com superexpressão de HER2. O objetivo principal do novo medicamento é prolongar a sobrevida e retardar a evolução da doença sem causar os efeitos colaterais típicos da quimioterapia, melhorando, assim, a qualidade de vida das pacientes.

No estudo, os pacientes que fizeram uso do T-DM1 apresentaram maior controle da doença, redução do tumor e maior sobrevida com ganho de qualidade de vida em relação aos pacientes que não fizeram o uso da droga.

Entretanto, apesar dos índices altamente positivos, a droga chega como uma opção a mais no tratamento e não como uma solução definitiva. Acredito que OT-DMI é uma arma a mais no combate ao câncer de mama avançado, mas, antes dele, temos inúmeras opções de tratamento, tanto para tumores iniciais quanto para casos mais avançados. O T-DMI não é uma droga preventiva. A prevenção do câncer de mama e o diagnostico precoce são os principais armamentos no combate a doença, devendo ser orientado pelo mastologista e oncologista. O medicamento passará por aprovação da Anvisa e deve chegar ao Brasil entre 2014 e 2015.

É válido considerar que o autoexame não basta. Os tumores de mama são, muitas vezes, diagnosticados pela própria paciente durante o autoexame das mamas. Apesar disso, estudos têm, cada vez mais, questionado a eficiência do método, uma vez que ele costuma indicar apenas tumores já bastante desenvolvidos. Pesa também contra o autoexame o fato de que o tratamento adequado e ágil minimiza os impactos da doença. Para tanto, quanto mais cedo identificada a doença, melhor.

Relativamente raro entre mulheres abaixo dos 35 anos, a taxa de incidência de câncer de mama feminino aumenta rápida e progressivamente após essa idade. A recomendação do Ministério da Saúde é que o exame clínico anual seja feito a partir dos 40 anos. Já para as mulheres entre 50 e 69 anos, a recomendação inclui um exame mamográfico a cada dois anos.

Além da idade, outros fatores de risco são: histórico familiar, obesidade, sedentarismo, exposição excessiva a hormônios, não ter filhos ou engravidar pela primeira vez após os 35 anos, menstruar muito cedo ou parar de menstruar muito tarde, exposição à radiação na região do tórax ou das mamas, ingestão excessiva de bebidas alcóolicas, entre outros.

Apesar da impossibilidade de prevenção total, a combinação de alguns hábitos saudáveis com os exames pode diminuir as chances de desenvolvimento da doença. Entre as medidas básicas para prevenir o câncer estão: não fumar, manter alimentação adequada, praticar regularmente exercícios físicos e cuidar do peso corporal.

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